Andrea Kimi Antonelli saiu do GP de Singapura com números que fariam qualquer piloto sorrir: um terceiro lugar, uma vantagem de 102 pontos sobre George Russell na liderança do campeonato e a sensação de ter uma mão quase fechada na taça da Fórmula 1 de 2026. Mas o resultado esconde um fim de semana muito mais tenso do que a classificação final sugere, marcado por falhas técnicas nos freios que quase tiraram o italiano da pista.
Falha no grid e corrida sem dados de freio
O problema começou antes mesmo de a corrida ter início. A equipe da Mercedes identificou uma falha no sensor de freio enquanto o carro de Antonelli ainda estava posicionado no grid de largada. O reparo foi feito às pressas, no próprio grid, mas isso teve um custo: o carro seguiu para a corrida sem qualquer leitura confiável sobre o comportamento dos freios, obrigando o piloto a correr praticamente no escuro em um dos aspectos mais sensíveis de pilotagem em um circuito de rua como Marina Bay.
"Quase fui parar no muro", admite o líder do campeonato
A situação se agravou ao longo da prova. Antonelli relatou que o pedal de freio ficou "longo", termo usado por pilotos para descrever a necessidade de aplicar mais força e percurso no pedal para obter o mesmo efeito de frenagem. Em coletiva após a corrida, ele foi direto ao descrever o momento mais crítico, logo após uma relargada com safety car virtual: "Quando fui frear, nada aconteceu. Eu tinha uma capacidade de frenagem muito ruim, pouca força no pedal, e quase fui parar no muro". Segundo o próprio piloto, a combinação de calor extremo, longos trechos rodando atrás de outro carro em ar sujo e a ausência de dados térmicos tornou a gestão dos freios uma tarefa quase intuitiva. "Não sabíamos exatamente a que temperatura eles estavam funcionando, então foi tudo na sensação. Mas eles estavam quentes, porque eu conseguia até sentir o cheiro", descreveu.
Pacote de atualizações ainda não convence em pistas lentas
Antonelli também comentou sobre o novo pacote de atualizações da Mercedes, usado pela segunda vez após uma estreia discreta na Malásia. Em um traçado como o de Singapura, com predominância de curvas de baixa velocidade, o piloto reconheceu que o carro ainda não entrega o ganho de desempenho esperado. Segundo ele, a versão anterior do carro oferecia uma janela de operação mais ampla e previsível, enquanto o novo pacote exige mais precisão na forma de atacar cada curva e cada frenagem. "A janela em que o carro opera neste momento é simplesmente pequena demais", afirmou, acrescentando que o potencial do novo conceito aparece em certos trechos, mas ainda não foi plenamente dominado pela equipe.
Vantagem robusta, mas sem espaço para relaxar
Apesar dos contratempos, o terceiro lugar atrás do vencedor Max Verstappen e do segundo colocado Charles Leclerc manteve Antonelli em posição confortável na briga pelo título, ampliando a distância para o companheiro de equipe George Russell. Ainda assim, o episódio em Singapura serve como lembrete de que a margem de erro em disputas de alto nível é mínima: um sensor com falha ou um pedal impreciso podem transformar uma corrida tranquila em um exercício de sobrevivência, mesmo para quem lidera o campeonato com folga.